Meu primeiro contato com o carnaval foi na década de cinquenta, quando eu tinha apenas dez anos de idade. Guardo com carinho as lembranças do meu pai organizando o tradicional “Grito de Carnaval” aqui em Pedra. A festa acontecia na ressaca da Festa de Reis, quando os papangus tomavam as ruas, acompanhados pelas batucadas que embalavam a alegria do povo. As pessoas seguiam presas ao frevo, pulando pelas ruas, celebrando a vida.
Com o passar dos anos, fui convivendo cada vez mais com o carnaval e também passei a ajudar na sua organização na cidade. No sábado de carnaval, organizava o Zé Pereira, promovíamos uma grande festa, com premiação para quem acertasse quem estava caracterizado do personagem. Era um carnaval simples e saudável, onde todos brincavam fantasiados, mascarados, vestindo o traje típico da época, conhecido como mortalha.
Havia de tudo: entrudos, bicas espalhadas pelas praças, mela-mela de talco, seringas de água, jipes enfeitados com foliões subindo e descendo as ruas da cidade. Os foliões desfilavam sorridentes, embalados pelo frevo e pelas marchinhas de carnaval, transformando cada rua em um verdadeiro palco de alegria popular.
Vivi uma época de carnavais verdadeiros, intensos e cheios de significado. Carnavais que o tempo levou, mas que continuam vivos na memória e no coração. Porque mais do que uma festa, o carnaval era o momento em que a cidade inteira sorria junta, celebrando sua cultura, sua história e sua gente. São lembranças que resistem ao tempo e seguem sendo motivo de orgulho e saudade.
Elieser Gomes Neri (Dedé Neri)





0 Comentários
Deixe abaixo o seu comentário sobre esse artigo.