Faz
tempo que o São João no Nordeste começou a morrer. Já não se vê
“Alavantú” nem alguém gritando “Anarriê”. A festa junina virou um grande
festival do mais do mesmo. De janeiro a janeiro, os mesmos nomes, as
mesmas músicas ruins e a mesma ausência da identidade da cultura local
nos palcos culturais, que diminuem a cada ano.
Os gestores
municipais fazem questão de anunciar com orgulho o que chamam de grandes
atrações, enquanto os artistas da terra são deixados de lado, com
números de apresentações cada vez mais mirrados. As festas dos bairros
deixaram de existir.
As fogueiras quase não existem mais. E a
tradição junina, que era uma das maiores riquezas do Nordeste, se esvai
nas mãos das produtoras contratadas oficialmente para assassinar o São
João.
E, meu caro leitor, isso não é mais um lamento. É
constatação. Basta pegar os números e comparar. Enquanto, no chamado
PALCO MULTICULTURAL, as prefeituras investem milhões, os palcos de
cultura recebem investimentos que equivalem, muitas vezes, à contratação
de apenas um artista do palco dos “famosos”.
Os artistas que
sustentam, de fato, as nossas tradições recebem pouco. Enquanto os
camarins dos artistas do palco multicultural são regados a frios, uísque
e salas organizadas, os camarins dos artistas locais têm sanduíche
frio, café, água e cadeiras de plástico. Isso quando o teto não cai.
Entra prefeito, sai prefeito, e o assassinato continua.
Em
breve, muito em breve, daremos aqui a notícia: “A morte do São João”. E
toda a magia que tanto atraía os turistas para as chamadas festas
tradicionais será apenas lembrança — imagens tão desbotadas que já nem
se conseguem enxergar.
Ai, que saudade eu sinto das noites de São João...
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